quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Finge


Cala a boca ao jantar.
Endireita-te. Mastiga com pausa,
Bebe sem parar, mas nunca digas a causa,
Da dormência desse ar.

Dorme para o lado que não gostas.
Finge ler a bíblia sagrada!
Enfatiza a dor nas costas,
Mas nunca afies a espada,
Que guardas, debaixo da almofada,
Onde o teu bebe dorme.

Vê-te ao espelho, aprumado,
Ensaia o discurso ensaiado
E suspira três vezes ou por todos os meses,
Que não dizes a verdade.

Alista-te no exército que te condena,
O que te aplaude na cena
Em que cais de cabeça, no cais abandonado.
Não peças socorro. Não abanes a bandeira,
É que o teu amigo, dá-se com o inimigo,
E agem no fundo, da mesma maneira.

Diz que amas a tua mulher, mesmo que não a conheças.
Cumprimenta o vizinho, não tens educação?
Anda leve, agradece o ninho,
Mesmo que não mereças, aninha a condenação.

Tira mais fotografias e deixa que os outros vejam,
sorri em todas. Inventa alegrias.
Cria legendas, para aumentar a percepção.
Critica a suposta inveja que te têm,
mas lá dentro lamenta,
que não te resgatem.
que não te captem.
que não te soltem.






2 comentários:

Catarina disse...

muito bom...

Diogo disse...

muito bom, sim senhora. gostei particularmente da última estrofe